O icônico design dinamarquês e a história por trás desse estilo para além das cadeiras.

“É quase mais fácil construir um arranha-céu do que uma cadeira”, disse Ludvig Mies Van Der Rohe, mestre do minimalismo na arquitetura. E foi justamente com esse objeto, a cadeira, que o design dinamarquês passou a correr mundo em seus anos dourados.

“A cadeira é a peça de mobiliário que está mais próxima dos seres humanos. Você pode dar a ela um toque pessoal”, disse Hans J. Wegner, o “mestre da cadeira”, que sempre trabalhou de modo cuidadosamente artesanal. O artesanato, aliás, é uma das atividades tradicionais do país, que o design da Dinamarca não abandonou em sua trajetória.
Esse estilo marcou época e ficou em evidência dos anos 20 ao fim dos anos 70, mas teve seu auge nos anos 50 e 60 do século XX. Assim, abriu caminhos para o comércio internacional de mobiliário, moda e design de alto padrão.

Com um estilo funcionalista (a função não é negligenciada em detrimento da estética), o design dinamarquês ganhou corpo sob influência da importante escola alemã, Bauhaus.

O contato com novas tecnologias industriais da Europa, por um lado, e a atenção à tradição de produção de artesanato de qualidade, por outro, constituíram a base para a produção industrial de móveis, edifícios e objetos que teve início naquele momento e fez história.

O uso da madeira clara, típica da mobília dinamarquesa, contribui para a ‘atmosfera nórdica leve e clara’ dos ambientes. Além disso, existe uma atenção especial a dois elementos principais: a ideia, ou seja, a função do objeto, e a forma necessária para que desempenhe sua função de maneira charmosa, confortável e eficaz. O foco do design dinamarquês é no usuário e, por isso, teve, desde o seu início, vínculo estreito com as reflexões sociais, humanas e ergonômicas (para saber mais sobre ergonomia, leia nosso outro artigo aqui).

Dentre os mais bem sucedidos designers dinamarqueses, podemos citar nomes como Hans J. Wegner, Arne Jacobsen, Børge Mogensen, Finn Juhl, Poul Kjærholm, Poul Henningsen, Verner Panton e tantos outros.

Em uma das manifestações mais emblemáticas do design dinamarquês, é possível destacar a construção do Hotel SAS, em Copenhague. Essa é uma construção que representa o modernismo clássico, com formas simples e severas. Símbolo de bom gosto e sofisticação, que foi projetado do começo ao fim por Arne Jacobsen.

Arne Emil Jacobsen nasceu em 1902, em Copenhague, Dinamarca. Um fato curioso é que iniciou sua carreira como pedreiro em construções residenciais e, anos mais tarde, contou com o apoio do pai para ingressar na faculdade de arquitetura. Considerado um dos nomes mais importantes da arquitetura modernista, além de designer de móveis, também foi decorador e professor. Ele ficou conhecido principalmente pelas cadeiras da Series 7 e pelas poltronas Egg e Swan.

Além de ser um ícone de sofisticação, o design da Dinamarca também lançou sementes que dariam frutos no design até os dias de hoje, como a empatia ao usuário, o trabalho coletivo, o respeito aos saberes tradicionais e às necessidades humanas, para além do consumo de supérfluos não funcionais.

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