Buscar

Couro sintético é mesmo ecológico?

-----diarios-de-couro-sintetico-e-tecidos-journal

O “couro sintético” não é nem couro nem ecológico. “Existem vários materiais chamados de couro sintético, mas que são feitos de PVC, um derivado de petróleo”, afirma Luiz Carlos Faleiros, 49, responsável pelo laboratório de couros e calçados do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). Segundo a explicação do engenheiro, esse material só não prejudica o ambiente quando é feito de PVC reciclado.

“Couro sintético”, na verdade, é uma denominação errada, até mesmo do ponto de vista legal. O artigo 8º da lei 11.211/05 diz: “é proibido o emprego (…) da palavra “couro” e seus derivados para identificar as matérias-primas e artefatos não constituídos de produtos de pele animal”. Semântica à parte, dar preferência ao material, apenas, não vai ajudar a poupar a vida de animais. “A população mundial vai continuar comendo carne”, diz Faleiros. Em outras palavras, o couro é um subproduto do corte, que é feito independentemente do aproveitamento da pele do animal.

Já o chamado “couro ecológico” não tem uma definição técnica ou legal, mas geralmente está associado a processos industriais que geram menos impacto que os tradicionais. “Couros ecológicos são menos poluentes, usam substâncias naturais ou biodegradáveis, têm menos restrição de mercado e usam menos água”, diz Gerusa Giacomolli, 32, técnica responsável pelo Centro Tecnológico do Couro do Senai.

Em geral, o couro ecológico é feito da pele de animais, especialmente bovinos, como o convencional. A diferença está no processo de curtimento: em vez de usar metais pesados, em especial o cromo, o couro ecológico usa substâncias alternativas, como os taninos vegetais. “Um tempo atrás, o curtume era visto como uma indústria muito poluente. Mas isso mudou muito”, diz Giacomolli.
Mas, para Faleiros, os fabricantes que querem ser rotulados como “ecológicos” deveriam se preocupar com a cadeia inteira. “Todo curtume gera efluentes. Na Europa, para ter o selo ecológico, o fabricante tem que provar que existe um tratamento de efluentes bem feito, ter embalagem de papel reciclado e tudo mais. É por aí que um produto tem que ser definido como ecológico”, diz. (CA)

 

Fonte:  Folha de S.Paulo, sábado, 21/07/2008

Posts relacionados

Criatividade premiada

O renomado diretor criativo e designer Willo Perron tem realizado projetos de mobiliário com a Knoll, e agora é selecionado como designer do ano de…
Ler artigo

Atec Cultural 2026 – Amar e viver São Paulo: Celebrando os 472 anos de SP sob o olhar da artista Nilda Luz

Retomada do Atec Cultural em 2026, com o tema "Amar e Viver São Paulo", com a artista Nilda Luz. Evento em parceria com a Bureau…
Ler artigo

Breuer na Madison Avenue

O mais célebre projeto de Marcel Breuer nos Estados Unidos foi renovado pelo escritório Herzog & de Meuron, e agora reabre como a sede da Sotheby’s. Talvez…
Ler artigo

Comentários